Novembro Azul: cuidados além da prevenção ao câncer de próstata

7 dez, 2021 | Na mídia

Este é o tipo de câncer mais comum e a segunda causa de mortalidade por tumores, ficando atrás apenas do câncer de pulmão. Porém, há algo tão grave quanto esses dados. A saúde mental masculina nunca esteve tão comprometida. Por que não aproveitar este mês para também conscientizar os homens de si mesmos? Não há sentimentos fortes ou fracos, e sim os saudáveis.

Costumo ouvir de muitos especialistas a seguinte crítica quanto àquilo que se pretende alertar durante alguns meses do ano, como o Janeiro Branco, o Outubro Rosa e o Novembro Azul: “Saúde mental, da mulher e do homem, não pode ser lembrada apenas um mês ao ano, e sim todos os dias”. Concordo em parte com este tipo de afirmação, pois é claro que saúde é algo para ser alimentada todos os dias. Porém, comemorar o Novembro Azul não significa negar a importância do cuidado diário com a saúde masculina, e sim chamar a atenção daqueles que ainda não se cuidam!

O câncer de próstata é o mais comum entre os homens e a segunda causa de mortalidade por tumores, ficando atrás apenas do câncer de pulmão. Estes dados são as principais razões do Novembro Azul, pois milhares de mortes poderiam ser evitadas com a prevenção e o diagnóstico precoce. Porém, eu quero falar sobre a conscientização de outros tipos de tumores, que matam tanto quanto o de próstata. O câncer da alma. O tumor da ignorância.

Precisamos urgentemente de uma campanha sobre o perigo do machismo. Não aquele que faz mal às mulheres, mas, especificamente, este que faz mal aos próprios homens. A saúde mental dos homens nunca esteve tão comprometida. Eles se matam mais do que as mulheres — a média global é de 15 homens para 8 mulheres por 100000 habitantes. Eles bebem e se drogam mais — quase cinco vezes mais do que as mulheres.

Não tenho dúvida de que uma das grandes razões dessa catástrofe é o machismo que o próprio homem tem de si. Crenças como: homem não chora, homem não fala de seus sentimentos ou chorar é sinal de fraqueza são a expressão desta verdade. As músicas sertanejas são ricas nestes conceitos. Elas reafirmam o tempo todo que homem enfrenta suas dores no bar bebendo um copo de cachaça. Precisamos aproveitar este mês de novembro para livrar o homem de seu próprio machismo. Ensiná-lo que pedir ajuda é sinal de inteligência e não de fraqueza. Que chorar faz parte da existência. Que eles podem se angustiar, se desesperar e que alguém vai ouvi-los sem preconceito, porque o machismo pode estar tanto naquele que tem medo de falar quanto naquele que está ouvindo. Os livros de psiquiatria trazem uma estatística interessante sobre a qual pesquisadores não conseguem achar respostas. As mulheres apresentam de duas a três vezes mais depressão e ansiedade que os homens. Várias teorias explicam esta diferença, como a questão hormonal, sociológica, antropológica e psicológica. Mas, ao longo dos meus 20 anos de profissão, concluí que uma variável pode ser colocada neste jogo: o machismo.

É vergonha para o homem procurar psicólogo. Como ele vai chegar à reunião dos amigos dizendo que está fazendo terapia? Com certeza, será vítima de bullying. Este preconceito está por trás da subnotificação das doenças mentais nos homens. Por que não aproveitar o Novembro Azul para conscientizar o homem de si mesmo? Falar para ele que não há sentimentos fortes e fracos, e sim sentimentos saudáveis. A depressão e o alcoolismo tiram a vida da mesma forma que os cânceres. Tudo está conectado, saúde física e mental. O poeta romano Juvenal traduziu tudo em uma frase: “Mens sana in corpore sano”. Esta é a receita!

* Pablo Vinícius é médico psiquiatra formado pela Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, mestre em Neurociências na Universidade de Brasília e especialista em Medicina do Sono. É pesquisador, escritor e palestrante.

A cada segunda-feira, vamos falar de técnicas para melhorar o desempenho do seu cérebro e, consequentemente, sua qualidade de vida.

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