E viva o presente!

7 dez, 2020 | Blog

O que esperar deste 2021?

Não…. Definitivamente não estou celebrando tudo o que aconteceu e ainda está acontecendo como consequência de uma pandemia. Quando imaginaríamos que o cabalístico ano de 2020 seria tão caótico? De repente, fomos surpreendidos por algo invisível, mas maior do que nós. Veio o vírus e com ele as pandemias do isolamento, do medo, da ansiedade, do pânico e da insônia. O vírus contaminou e matou milhares de pessoas. O pânico paralisou a humanidade. Luto, crises financeiras, empresas falindo, casamentos desfeitos. Que ano este que passou! Então, o que justifica o título do meu artigo? Será que estou em outro planeta ou sou de certa forma masoquista? Uma coisa possa afirmar: O ano passado, do ponto de vista da saúde mental, não houve nenhuma surpresa! Como psiquiatra, há mais de 20 anos, venho acompanhando a deterioração da humanidade. O Brasil é o país mais ansioso do mundo. O segundo a consumir calmantes e a nação mais depressiva da América Latina. Nunca estivemos tão ansiosos e depressivos na história deste país. Descobrimos nos medicamentos psiquiátricos que não há mais a necessidade de mudar a vida. Basta um medicamento para dormir, outro para acordar, um para sorrir e outro para acalmar. Pronto! Passamos mais um dia. Antes da pandemia do vírus, estávamos anestesiados pelo automatismo da vida. Não tínhamos tempo para pensar nos nossos valores e modelos de sociedade. Apenas acordávamos e vivíamos o roteiro que tinha para cada um: levantar, levar o filho para a escola, ir para o trabalho, se estressar, chegar em casa e dormir. Para aqueles que mesmo assim ainda se sentiam desconfortáveis emocionalmente haviam os calmantes. Agora sim, todos estavam perfeitamente encaixados em um mundo caótico. É nesse contexto que eu celebro o presente e com ele, a possibilidade de um futuro diferente para cada um de nós. O sofrimento tem essa finalidade. O que vamos aprender com o ano que entrará para a história? Como será nossa vida daqui para a frente? O que esperar deste 2021? Será que vamos comemorar o fim da pandemia ou vamos comemorar uma sociedade que aprendeu com a dor, passando a ser mais cooperativa do que competitiva? Aprendemos desde cedo que temos que vencer na vida. Mas nos ensinaram uma forma predatória de vencer: derrotando nosso inimigo. Nos convenceram que nosso sucesso passa pelo fracasso de alguém. Só valorizamos o primeiro colocado, o número um, basta lembrarmos do famoso ditado: “o segundo colocado e o último são a mesma coisa, ambos nunca serão lembrados. ” O mundo não suporta mais a competitividade. Não temos mais recursos naturais para isso. Não temos mais energia para isso. Precisamos aproveitar esse momento para instaurar um novo modelo de sociedade, em que a cooperação será a mola propulsora do desenvolvimento. Será que neste novo ano estaremos comemorando apenas a vitória sobre o vírus ou vamos comemorar também a derrota da ‘ditadura da felicidade’? As redes sociais nos obrigaram a sermos felizes o tempo todo. Os filtros de imagem nos deixam mais bonitos. Desejamos uma vida que nos é imposta. Não sabemos mais de fato quem somos, o que gostamos e o que queremos na vida. Nunca buscamos tanto a felicidade. Nunca fomos tão infelizes. Temos a chance de um novo ano. A pandemia nos obrigou ficar em casa. Mas essa obrigação pode despertar sentimentos transformadores. Talvez o amor e a compaixão voltem a ser valorizados. O que será que estamos desejando para este novo ano? Está tudo em nossas mãos. Não somos vítimas do destino. Somos autores de nossas próprias vidas! 

 

Dr Pablo Vinicius , Psiquiatra, Neurocientista e Pesquisador

A cada segunda-feira, vamos falar de técnicas para melhorar o desempenho do seu cérebro e, consequentemente, sua qualidade de vida.

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